Data Science? Descomplique em 5 passos…

Data Science? Descomplique em 5 passos…

1.      Data Science, é um termo que sistematiza as diferentes abordagens, processos, técnicas e disciplinas relacionadas com a temática dos Dados. Abarca matérias muito diversificadas, relacionadas com os diferentes pontos da jornada dos dados. Parte das questões da geração dos mesmos, à forma como as organizações efetuam a sua recolha e extração. Passa pelas questões da estrutura e arquitetura de sistemas de dados, para a sua gestão e armazenamento, assim como pelo tratamento e qualidade, como estádios prévios à sua análise e modelização. Chega, por fim, às múltiplas técnicas de desenvolvimento analítico e programação, atualização (refreashment) e consequente partilha de resultados e insights, como sejam o reporting e a visualização.

Em resumo, o termo Data Science, reúne o conjunto de técnicas e ferramentas de análise avançada de dados ou conteúdos, estruturados os não, que permite libertar insights relevantes, realizar previsões e gerar recomendações e conhecimento que suportam a tomada de decisões estratégicas.

2.      Os dados sempre existiram na vida das organizações, sejam eles de natureza económica, social, financeira, comportamental,… No entanto, foi o processo de digitalização da indústria, das empresas, cidades, etc, da sociedade em geral, associado ao disparo na utilização dos meios e canais digitais, em especial dos smartphones, que tornou a questão da quantidade e qualidade dos dados, a rapidez do seu processamento e utilização, como premente.

É uma matéria de âmbito tão vasto e com implicações em múltiplas dimensões da sociedade, que conduziu a uma especialização grande das diferentes disciplinas, técnicas, e tecnologias que com ela se relacionam. Surgiram novas áreas nas ciências matemáticas e estatísticas, na engenharia, na gestão, no direito, e que por sua vez, também se cruzam com matérias das ciências da vida, como a biologia ou a medicina ou inclusive, com questões de natureza ética. Esta dinâmica deu assim origem ao aparecimento de novas profissões. A procura por especialistas que saibam como endereçar e responder às diferentes questões que se colocam, é cada vez maior.

3.      A questão prioritária a considerar para uma organização que pretenda dar os primeiros passos na utilização dos dados gerados pela sua atividade no processo de decisão, é o desenvolvimento de uma cultura data-driven – i.e. o alinhamento de toda a estrutura organizacional, na tomada de consciência do potencial da utilização dos dados em alavancar o valor das Marcas. Esse processo de “evangelização” e de alteração do mindset terá de partir do top management, que por sua vez deverá envolver as diferentes áreas da empresa no salto para uma maior maturidade analítica. A prioridade estratégica das organizações é ganhar consciência deste potencial e apostar no desenvolvimento da sua capacidade analítica, de forma a explorar o conjunto de dados disponível.

Dada a complexidade do tema, em algumas situações é difícil a organização conseguir, a priori, “visualizar” de uma forma detalhada os impactos e entregáveis ao longo da jornada, decorrente da implementação das abordagens mais analíticas. É importante que haja “um believer” com know-how no tema dos dados, que consiga romper com o status quo instalado e estabelecer pontes entre a estrutura interna, o negócio e empresas especializadas em Data Science.

4.      O desenvolvimento da capacidade analítica é hoje uma prioridade estratégica das organizações, mas deverá ser conjugada com uma definição dos objetivos que se pretendem atingir. As perguntas ‘Que tipo de dados são verdadeiramente relevantes?’, ‘Como recolher esses dados?’ e ‘Como começar?’ serão respondidas com recurso aos especialistas desta área. No entanto, este processo deverá ser forçosamente precedido por uma visão estratégica clara das questões prioritárias às quais o recurso à Data Science poderá ajudar a responder. A vastidão e multiplicidade de recursos e análises são infindáveis. Será a qualidade das perguntas e do grau de conhecimento das dores do negócio às quais se pretende dar resposta, que serão determinantes para a definição de uma abordagem data-driven.

5.      Não se deixe assustar com o jargão e com as buzzwords tantas vezes associadas a esta matéria. Independentemente do grau de maturidade digital ou tecnológica das empresas, o essencial no arranque para este processo de aplicação do Data Science na vida das organizações, reside na libertação e extração do valor dos dados, que estão em bruto. Muitas das vezes estão encerrados nos ficheiros excel, nos sistemas de suporte à gestão do negócio como o POS ou o CRM e que desta forma, poucas mais-valias acarretarão à empresa/Marca, apesar do seu extraordinário potencial. Qualquer que seja a base da informação, o melhor arranque para esta jornada, é começar pelo mais simples!

Sofia Carvalho, partner

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